“Aceita que dói menos”!

Por que temos tanta aversão à aceitação? Muitas vezes, a palavra aceitação provoca desconforto. Associamos o ato de aceitar a desistir, a nos render ou a nos acomodar diante do que não gostamos. Mas, na verdade, aceitar não é o mesmo que desistir. Aceitar não é abaixar a cabeça. E, definitivamente, aceitação não é impotência.

Na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), que faz parte das terapias contextuais, a aceitação é um processo ativo: reconhecer a realidade tal como ela é, sem fugir, lutar ou distorcer os fatos. É abrir espaço para sentimentos, pensamentos e experiências ,mesmo quando são desagradáveis , e ao mesmo tempo, continuar a agir de forma alinhada aos nossos valores.

Aceitar é admitir que certas coisas são como são, independentemente da nossa vontade. Isso não significa que precisamos gostar, concordar ou aprovar o que está acontecendo. Significa apenas que deixamos de gastar energia tentando negar ou resistir à realidade, e passamos a agir dentro dela, buscando mudanças possíveis.

Exemplos práticos na vida real:

•	Perda de um relacionamento:

Resistir à realidade pode nos prender em perguntas como “E se eu tivesse feito diferente?” ou “Isso não poderia ter acontecido!”. Aceitar não significa não sentir tristeza ou saudade , significa reconhecer que o término aconteceu e, a partir daí, cuidar de si, reconstruir a rotina e se abrir para novos vínculos.

•	Doença crônica:

Negar ou lutar contra o diagnóstico frequentemente intensifica o sofrimento. Na ACT, a aceitação envolve reconhecer os limites e desafios da condição, ao mesmo tempo em que a pessoa se engaja em ações que mantêm a qualidade de vida e o contato com o que é importante.

•	Ansiedade antes de uma apresentação:

Tentar “eliminar” a ansiedade geralmente aumenta a tensão. Aceitar, nesse caso, é reconhecer que sentir nervosismo faz parte da experiência e, mesmo assim, subir ao palco e falar , porque o valor de compartilhar sua mensagem é maior que o desconforto momentâneo.

A aceitação não é sobre sentir menos dor imediatamente, mas sobre deixar de acrescentar sofrimento extra tentando lutar contra o inevitável. É como soltar uma corda em um cabo de guerra contra algo impossível de vencer: você economiza forças para direcioná-las para o que realmente importa.

Na ACT, aceitação e compromisso andam juntos. Aceitar é o primeiro passo para agir de acordo com seus valores ,e é nessa direção que a mudança significativa acontece. Porque só podemos transformar o que reconhecemos, e só conseguimos caminhar quando paramos de travar batalhas contra a realidade.

📝 Exercício de Aceitação : “Abrindo Espaço para o que Sente”(Baseado em princípios da Terapia de Aceitação e Compromisso)

➡️ Pare por um instante:

Sente-se confortavelmente. Feche os olhos ou suavize o olhar. Respire fundo algumas vezes, apenas notando o ar entrar e sair.

➡️Observe o que está presente:

Pergunte-se: O que estou sentindo agora? Pode ser uma emoção, um pensamento ou até uma sensação física (tensão, calor, frio, peso no peito).

➡️Nomeie, sem julgar:

Em vez de dizer “não deveria estar ansiosa”, tente: “Estou notando ansiedade no meu corpo”. Nomear ajuda a criar espaço entre você e a experiência.

➡️Crie espaço interno:

Imagine que esse sentimento é como uma nuvem no céu da sua mente ,não precisa empurrá-la embora. Apenas permita que ela esteja ali, sabendo que, como todas as nuvens, ela pode mudar de forma ou passar.

➡️Relembre o seu valor:

Pergunte-se: O que é importante para mim agora, mesmo sentindo isso? Dê um pequeno passo nessa direção, mesmo que o desconforto continue.

💡 Lembre-se: Aceitação não é gostar do que sente, mas abrir espaço para viver plenamente, mesmo na presença do desconforto.

Aceitar pode doer, mas também pode libertar!

Isabel Beloni | Psicóloga Clínica | CRP-09/ 18521
Terapia Cognitivo Comportamental e Contextuais para Adolescentes e Adultos e Orientação Parental (Crianças e Adolescentes ).
📍Atendimento on-line.

Publicado no dia 13 de agosto de 2025!

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