É natural querermos evitar o sofrimento. Quando sentimos medo, tristeza, culpa ou vergonha, nossa tendência imediata é afastar essas emoções, tentar não senti-las, ignorá-las ou até mesmo nos distrair ao máximo para que elas “passem logo”. Esse movimento é chamado de “esquiva experiencial”, e ele faz parte da nossa natureza humana. Ninguém gosta de se sentir mal.
Mas há um custo quando fugimos constantemente do que sentimos. Às vezes, na tentativa de evitar a dor, acabamos nos afastando também daquilo que dá sentido à nossa vida: relacionamentos importantes, sonhos, valores e escolhas que exigem coragem e vulnerabilidade.
Não se trata de lutar contra o que se sente, nem de “aceitar passivamente” o sofrimento. Trata-se de aprender a se relacionar com os próprios sentimentos de uma forma mais gentil e aberta, reconhecendo que desconforto e dor fazem parte do processo de “viver a vida”.
Viver plenamente exige presença ,até mesmo com o que é difícil. Isso significa estar disposto a sentir o que for necessário, contanto que isso esteja a serviço de uma vida com mais sentido.
Em vez de gastar energia evitando emoções, podemos aprender a caminhar com elas, mantendo o foco na direção dos nossos valores , ou seja, aquilo que realmente importa para nós.
Por exemplo: se você valoriza a conexão com sua família, talvez precise ter conversas difíceis ou lidar com frustrações que surgem nos relacionamentos. Se valoriza o crescimento profissional, talvez tenha que enfrentar a insegurança e o medo de errar. Evitar essas experiências pode parecer mais confortável a curto prazo, mas a longo prazo, muitas vezes nos afasta da vida que queremos construir.
Aceitar não é se conformar. É escolher estar presente. É claro que isso não acontece da noite para o dia. Trata-se de um processo de se conhecer, se acolher e aprender novas formas de se relacionar consigo mesmo. A psicoterapia é um espaço onde essa jornada pode ser acompanhada com cuidado, acolhimento e técnica.
Você não precisa eliminar suas emoções difíceis para seguir em frente. Você pode aprender a levá-las com você, sem deixar que elas te dominem ou definam seus passos.
Isabel Beloni | Psicóloga Clínica
📍Atendimento on-line.
Publicado no dia 12 de agosto de 2025!


